Mais uma partilha «Verbum Jovem 2012»
Artigo escrito para ESLABÓN. Com a licença da Ir. Quintinha, SSpS.
“UNIDOS PARA DAR”!
Foi o lema
que convocou cerca
de centena e meia de jovens vindos de todos os cantos de Portugal para mais um
encontro nacional de jovens «VerbumJovem
2012», nos dias 5, 6 e 7 de Outubro de 2012, na Igreja da Divina Misericórdia – Patameiras,
Paróquia de Odivelas/Lisboa.
À
semelhança dos últimos quatro anos, o encontro foi uma oportunidade que os
missionários ofereceram aos jovens, onde experimentaram momentos de muita alegria, entusiasmo e paixão pela
Missão de Jesus Cristo
no espírito que o tema do mesmo trouxe consigo: «Unidos para dar...». Mas dar o que, a quem, porque e onde? São algumas inquietações interpeladoras que os jovens tinham
e que foram esclarecidas na palestra de Sábado e em cada momento vivido dos dias do referido encontro. E aí cada um chegou a
perceber porque temos de unir as forças, para, e na MISSÃO.
Vivi este 5º
Encontro Nacional VerbumJovem a partir de uma perspectiva muito interessante:
era, simultaneamente, o meu primeiro enquanto participante e enquanto membro da
equipa organizadora. Assim sendo, tive a oportunidade de preparar, com vários
meses de antecedência, tudo o que os jovens haviam de experienciar e, ao mesmo
tempo, a oportunidade de viver tudo o que estava preparado com um sentimento de
novidade muito parecido ao daqueles que ali estavam pela primeira vez.
Gostaria de
partilhar três ideias que, creio, ilustram bem a minha reflexão e a minha
experiência de missão neste Encontro.
1) Quem se MEXE PRIMEIRO É DEUS, não sou eu
Ao
pensar em ser missionário, não consigo separar a ideia de missão da ideia de
vocação, no sentido de chamamento de Deus. De facto, é-nos possível partir em
missão porque Deus nos chama a algo. São João é muito claro quando nos diz que
“Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.”
(1Jo 4, 19) A precedência na acção cabe a Deus, não a nós. Dizia São Paulo que o
amor de Cristo nos impele. Posto de uma forma mais musical, dizia o nosso hino
deste Encontro: “O Senhor escolheu-te sem
que soubesses, sonhou-te e amou-te, fez-te um dos seus.” E a consequência
disso mesmo é a urgência da nossa resposta: “Vai e confia, darás muito fruto.” Acresce que Deus não nos dá uma
empreitada sem nos preparar devidamente para ela. Não nos lança às feras
abandonados à nossa sorte, antes nos mune com as ferramentas que precisamos…o
problema é que muitas vezes nem nos apercebemos que as temos. Não confiamos que
podemos dar esse fruto. Logo, não vamos.
Na
homilia do Padre Jacinto na Eucaristia de domingo, no Encontro, tocou-me particularmente
este ponto do amor de Deus. Nunca o tinha pensado em termos de dimensão. “Quão
grande é o amor de Deus?” – perguntava ele. É útil pensarmos na dimensão deste
amor infinito, para que a evidência desta desmesura esmague os nossos receios,
as nossas dúvidas, os nossos bloqueios. “O amor de Deus é como um oceano, sem
margens nem fundo.” Caramba, assim tão grande?
2) MISSÃO implica sair de nós próprios e SER DOM
A
missão, como acto de resposta pessoal ao chamamento divino, exige então que eu
parta. Esta ideia de partida também ficou a baloiçar na minha mente. Lembrei-me
de pelo menos dois tipos de partida. Há a partida no sentido de deslocação no
espaço: o missionário parte para uma aldeia africana, São José Freinademetz
partiu para a evangelização na China, os jovens participantes do Encontro
partiram para as ruas de Odivelas… Mas há outra dimensão de partida não menos
importante: o missionário tem de sair de si próprio e ir ao encontro do outro.
Neste processo, esquece-se do seu ego e torna-se dom. Oferece o seu tempo, a
sua energia, os seus braços, os seus pés, o seu sorriso, seja o que for, para
os colocar à disposição do outro, e em última instância, de Deus. E a única
recompensa a que almeja, é uma recompensa que não é terrena. Lembro-me
novamente do hino: “É a dar que recebes o
que vem do Céu”.
3) NINGUÉM PODE AGIR SOZINHO
E
aqui é impossível não louvar o tiro certeiro que foi a escolha do tema do
Encontro. “UNIDOS PARA DAR”. Porquê unidos? Não posso dar sozinho? A
experiência de comunidade desarma sem dificuldade esta pergunta. Quando nos
sentamos juntos, comemos juntos, conversamos juntos, rezamos juntos e partimos
juntos em missão, compreendemos que o ser humano não tende apenas para a
sociabilidade como animal em matilha: precisa dessa sociabilidade para se
realizar a si próprio e alcançar Deus. Novamente o hino: “Tens em ti um tesouro precioso, mas só com os outros poderás brilhar”.
No
fundo, e cristalizando as três ideias, é esta a missão: sair de mim próprio e amar o próximo, porque Deus me chamou.
João Campos - Paróquia de Odivelas
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